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  • Gabriela Morais Machado

Mar, Amor e Morte: uma travessia com Jorge Amado

Fiquei segurando este texto por algumas semanas, enquanto a experiência de leitura ainda ressoava (e ressoa, até então, sem previsão de fim). Fico pensando que poderia escrever mais, que ainda há um tanto mais a dizer. Acontece que, às vezes, precisamos respeitar o limite das palavras, arriscar com o que temos. É o que decidi fazer e, simplesmente, deixar ressoar…

Mar Morto, de Jorge Amado. Me lembro de observá-lo, ainda criança, na prateleira de livros da minha mãe. Eu fitava com os olhos esse título estranho, enigmático, sentia um pouco de medo, mas, também sentia muita vontade de folhear, descobrir o que trazia em seu conteúdo. Agora, quase vinte anos depois, a curiosidade remonta aos tempos de criança e, junto dela, me entrego à vontade quase antiga de desvendar os mistérios do Mar Morto. Foi um encontro muito bonito, cercado de maravilhosas coincidências. Ainda no início, percebo que o livro trata, justamente, do que fez com que eu não deixasse de pairar os olhos sobre seu título: mistério. Em torno do Mar, do Amor e da Morte, Jorge Amado narra uma bonita história de amor. Talvez, quase bonita, pois trata-se do Amor atravessado pela Morte. Arrisco dizer que isso é o que o torna ainda mais bonito, mas nunca inteiramente bonito.

Através do Mar, por onde fazem suas travessias, os personagens tecem suas histórias, sem conseguir fugir do destino implacável que marca o encontro com o Amor e com a Morte, sempre mediado pelo Mar. Ora maravilhados e excitados por este encontro, ora desesperados e desamparados pela finitude que ele escancara.

O Mar, por sua vez, parece infinito, é Mar de mistério, Mar de destino, daqueles que dedicam suas vidas às viagens nos saveiros e das mulheres que decidem, em nome do Amor, acompanhá-los em suas jornadas.

Assim, “o mar é senhor de vidas, o mar é terrível e é misterioso. Tudo que vive no mar é cercado de mistério (...) o mar é doce amigo” (p. 155), como canta a música, “mar, misterioso mar... lendário e fascinante”.




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